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Compreendendo o Adolescente: A Arte de Ouvir com o Coração no Ambiente Familiar

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Por Severino Angelino, Psicanalista

Ser pai ou mãe de um adolescente é, muitas vezes, um exercício diário de paciência, adaptação e escuta. A fase da adolescência traz transformações profundas: o corpo muda, os sentimentos se intensificam e o jovem começa a buscar mais autonomia e identidade. No meio de tudo isso, é comum que o diálogo em casa fique mais difícil, e os vínculos, mais frágeis.

Severino Angelino, Psicanalista

Talvez você já tenha se perguntado por que seu filho ou filha anda tão calado(a), distante, ou fechado(a) no próprio mundo. Muitos pais se deparam com respostas curtas, mudanças de humor e até isolamento, e não sabem ao certo como reagir. É natural sentir-se frustrado, inseguro ou até impotente diante dessas mudanças, mas é importante saber que você não está sozinho(a), e que isso não significa que perdeu a conexão com seu filho.

Na maioria das vezes, esse comportamento não é rebeldia ou desprezo. É uma tentativa do adolescente de lidar com sentimentos confusos, medos que ele ainda não sabe nomear, e pressões internas e externas que o desafiam todos os dias. Por isso, mais do que falar, essa é uma fase em que os jovens precisam ser escutados com atenção, paciência e, principalmente, sem julgamento.

A escuta verdadeira começa quando deixamos de lado a pressa de consertar, a necessidade de controlar e o impulso de corrigir a todo instante. Ela se manifesta quando estamos disponíveis, mesmo em silêncio. Quando conseguimos dizer, com a nossa presença: “Estou aqui, quando você quiser falar”.

Muitos adolescentes não sabem expressar suas emoções com clareza. E é por isso que a escuta dos pais vai além das palavras, ela passa pela observação das pequenas mudanças de comportamento, do tom de voz, do olhar, dos hábitos. Mudanças bruscas no sono, no apetite, no rendimento escolar ou no humor, por exemplo, podem ser sinais de que algo mais profundo está acontecendo.

Nesses momentos, é essencial que os pais ofereçam acolhimento e, se necessário, busquem ajuda profissional. A psicoterapia pode ser um recurso valioso para que o adolescente encontre um espaço seguro, onde possa se expressar, elaborar seus conflitos e aprender a lidar de forma mais saudável com suas emoções.

É importante lembrar: você não precisa ter todas as respostas. O mais importante é estar por perto, de forma respeitosa e disponível. A adolescência não precisa ser um tempo de afastamento, mas pode se tornar uma oportunidade de crescimento mútuo, desde que haja espaço para escuta, empatia e diálogo.

Se você tem percebido dificuldades de comunicação com seu filho(a), ou sinais de sofrimento emocional que preocupam, considere buscar orientação. O apoio de um profissional pode ajudar sua família a atravessar essa fase com mais leveza e conexão.