Por Severino Angelino – Psicanalista
Vivemos a era da velocidade. Nunca se produziu, consumiu e se comparou tanto em tão pouco tempo. A geração atual cresce em um mundo hiperconectado, mas paradoxalmente mais solitário. As redes sociais, que prometem proximidade, expõem diariamente padrões inalcançáveis, cobranças silenciosas e comparações constantes. O resultado? Uma mente em estado de alerta, sempre sentindo que está “atrasada” ou “insuficiente”.
Na psicanálise, entendemos a ansiedade como uma resposta diante do desconhecido e da falta de controle. E se há algo que marca nossa época, é justamente a incerteza: empregos instáveis, relações frágeis, excesso de informação, mudanças rápidas. O futuro parece uma névoa e, para o inconsciente, isso é insuportável.
O jovem de hoje não sofre apenas pela própria história, mas também pela carga invisível de uma sociedade que exige perfeição, desempenho e sucesso a qualquer custo. A cada “like” perdido, a cada comparação silenciosa, o sujeito é atravessado por uma ferida narcísica que alimenta a sensação de não pertencimento.
Nunca se falou tanto sobre saúde mental, e ao mesmo tempo nunca se viveu tamanha pressão interna. A ansiedade da geração atual não é apenas individual, ela é coletiva, fruto de uma cultura que idolatra a performance e esquece a subjetividade.
E talvez a grande pergunta que precisamos nos fazer não seja apenas “por que estamos mais ansiosos?”, mas sim: o que estamos deixando de escutar em nós mesmos quando a vida se torna apenas correria, cobrança e comparação?





