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Mãe Rita, guardiã e pioneira: Arapiraca celebra a força ancestral na Noite da Consciência Negra

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Por Carlo Bandeira

Em uma noite em que o vento parecia carregar tambores invisíveis, daqueles que lembram às pessoas que a história pulsa mesmo quando a cidade dorme, a Prefeitura de Arapiraca prestou homenagem a uma das figuras mais luminosas e, por tantos anos,

silenciosamente essenciais da cultura afro-brasileira local: Maria Rita Pereira da Silva, a Mãe Rita, do tradicional Abassá Dan Orum, que pode significar em uma das suas traduções: Templo Sagrado do Mundo Espiritual.

Reconhecida como a primeira mãe-de-santo de terreiro de Arapiraca, Mãe Rita recebeu das mãos da Secretária de Cultura de Arapiraca, Mônica Nunes, na Noite da Consciência Negra, um tributo que parecia tardio, mas nunca vazio. Foi como se a cidade, enfim, levantasse-se para dizer: “Eu me lembro. Eu reconheço.” E, no coração da celebração, estava ela firme e suave, como quem já conversou com a dor e com a esperança muitas vezes.

A cerimônia, marcada por cânticos, cores e pela força simbólica dos passos ancestrais, lembrou que a origem do povo afrodescendente de Arapiraca não cabe apenas em livros e arquivos: está viva, respira, vibra, e Mãe Rita é testemunha dessa travessia. Na plateia, homens e mulheres, meninos e meninas, pessoas de fé e pessoas de outros seguimentos religiosos se encontraram em um mesmo ponto: o respeito.

Como toda boa história que merece ser contada, a de Mãe Rita não é feita só de flores. É feita de resistência. De abrir caminhos onde a intolerância fechava portas. De manter o fogo aceso quando tantos insistiam em soprá-lo para longe. De ensinar, sem violência e sem pressa, que espiritualidade é um espaço onde pessoas chegam descalças e saem mais inteiras.

Nesta noite simbólica, Arapiraca voltou a olhar para si mesma. E talvez, quem sabe, tenha começado a responder a uma pergunta antiga: que cidade queremos ser, quando encaramos o espelho da nossa própria diversidade?

Seja qual for a resposta, uma coisa ecoa clara: sem Mãe Rita, faltaria um capítulo essencial. Faltaria aquele fio ancestral que segura a trama inteira para não se desfazer.

E Arapiraca, que tantas vezes correu para o futuro, hoje fez o gesto de parar, mesmo que por um instante, para reverenciar sua história. Uma história que tem cheiro de folha, som de atabaque e nome bem conhecido: Mão Rita, do “Abassá Dan Orum”, a pioneira.

Parabéns, Arapiraca, pela reverência, e muito principalmente, Felicitações à Mãe Rita, a guardiã da religião de Matriz Africana e pioneira nos seus fundamentos e ensinamentos.

Axè!