Publicidade

Heloísa Helena: “Aos que me odeiam, se avexem não, que o tempo passa rápido”…

Compartilhe nas redes:

Imagem da capa

Editorial

Por Carlo Bandeira

Imagens: Tv Câmara

No vídeo que circula nas redes como um recorte de história viva, ela surge de novo, não apenas uma imagem, mas um sinal de tempos que retornam. A ex-senadora Heloísa Helena (Rede-RJ) tomou posse como deputada federal na Câmara dos Deputados. Uma volta ao Congresso Nacional 18 anos depois de sua última atuação parlamentar.

Este retorno não é apenas um gesto formal; é o fruto de uma decisão da Câmara que suspendeu, por seis meses, o mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), acusado de quebra de decoro parlamentar. Com isso, a cadeira aberta pelo afastamento do parlamentar passa momentaneamente para a suplente Heloísa Helena. Um retorno que muitos achavam apenas uma memória distante.

Uma voz que estronda de volta ao plenário

Formada em enfermagem e com uma trajetória que cruza movimentos sociais e batalhas partidárias, Heloísa Helena foi senadora por Alagoas entre 1999 e 2007. Sua presença no Congresso hoje carrega o peso de debates históricos e a resiliência de quem já desafiou consensos e convenções.

Em seu discurso de posse, a deputada afirmou que não volta com alegria, mas por dever, uma frase que se transforma em um convite à reflexão sobre o momento político que vivemos. Para ela, o episódio que levou à suspensão de Glauber Braga não é apenas um fato isolado, mas um sinal de um “moralismo seletivo” e de tensões profundas nas regras e práticas do Legislativo. 

Ao assumir, Heloísa Helena criticou o processo contra Braga, elogiando-o como um “guerreiro” e colocando sua volta como um ato de resistência diante de um sistema que, em suas palavras, ainda reserva desigualdades no tratamento de parlamentares.

Contexto e expectativas

A trajetória de Heloísa Helena é marcada por grandes momentos na trama da política brasileira: a expulsão do PT em 2003 por divergências em torno da reforma da Previdência; a cofundação do PSOL; uma candidatura presidencial; e mais tarde sua filiação à Rede Sustentabilidade. Em cada passo, um gesto de questionamento e uma marca de independência, mesmo quando custou alianças ou aplausos.

Este retorno ocorre em um período em que as tensões no Congresso se multiplicam, entre debates sobre reformas administrativas, disputas internas e narrativas ideológicas que cruzam esquerda e direita. A presença de Helena, mesmo que temporária, reabre perguntas sobre posição de independência, sobre a coesão de partidos progressistas e sobre como as figuras do passado podem reinterpretar o presente.

Repercussões e símbolo

Nas redes sociais, o vídeo e as imagens dessa posse desencadearam discussões que vão de celebração à crítica contundente. Pra especialistas, trata-se de um símbolo: a política como memória, embate e continuidade, onde as lutas antigas ainda conversam com as urgências atuais.

Ao concluir sua fala, Helena deixou um recado que mistura ironia e firmeza: “Aos que me odeiam, se avexem não, que o tempo passa rápido”, um gesto que lembra que a política é espaço de contradições e que cada instante, mesmo breve, pode reverberar além de um mandato que vai e volta.