A questão central tem sido a perda de identidade de muitos negócios
Por: Thiago Abel
Prof. Thiago Abel
Que as IAs chegaram em definitivo já está consolidado. Que nossa forma de produzir intelectualmente mudou radicalmente também é uma realidade inevitável. Mas, como tudo na vida, é preciso bom senso. Como dizem meus alunos: já está ficando feio.
A inteligência artificial chegou com força e tem ajudado profundamente em praticamente todas as áreas do conhecimento, facilitando o trabalho, economizando tempo e dando maior fluidez às tarefas diárias. Planejar, resumir, organizar e administrar o que precisa ser feito é um trunfo que muda o jogo. Mas, com todas essas facilidades, ainda é preciso jogar sem tentar mudar as regras. Vamos focar nas estratégias para vencer a partida e nos destacar no campeonato?
Tem sido absurdo o volume de conteúdos de mídia produzidos integralmente por IA. Jingles de loja, vinhetas de rádio, comerciais de TV, narrações para divulgação, tudo se tornando um padrão frio, com pouca ou nenhuma criatividade, rimas quebradas, ausência de poética, ironia e inteligência emocional, elementos que fizeram da publicidade brasileira algo tão rico e premiado.
Chega a doer quando escuto a programação de uma rádio e percebo sua plástica totalmente produzida por aplicativos. Em algumas emissoras, não se ouvem mais as vozes dos locutores da casa nas chamadas dos programas, nos comerciais vendidos ou nas vinhetas. O que mais impressiona é a abundância de material humano disponível. É irônico dispensar uma mão de obra cheia de vida e personalidade para dar lugar à frieza da máquina, sobretudo quando esse mesmo profissional poderia agregar valor à emissora e ampliar suas próprias oportunidades.
A questão central tem sido a perda de identidade de muitos negócios. A perda da referência: o que esse veículo tem que o outro não tem? Por que prefiro assistir futebol nessa transmissão e não na concorrente?
Grandes empresas não estão embarcando cegamente nessa onda. Elas sabem o valor que construíram e não arriscam perder sua identidade por uma tendência tecnológica passageira. Talvez seja justamente isso que as diferencie: longevidade, segurança, confiabilidade e, principalmente, identidade sólida junto ao público.
Fica a reflexão: a economia gerada pela produção de conteúdo com IA vale a imagem da sua empresa? O que você economiza hoje ao não contratar um profissional humano compensa as perdas futuras quando seu público deixar de te diferenciar dos outros?
A IA de hoje pode ser o CNPJ encerrado de amanhã. E a responsabilidade será de quem?