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Gerson Tenório e a arte que brota de Quebrangulo: a vida em cena com o grupo Shalom e Vida

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Imagem da capa

Por Carlo Bandeira

     No coração Agreste de Quebrangulo, entre ladeiras e lembranças, uma chama acesa pela arte resiste e ilumina: é o teatro como respiro, grito e recomeço. À frente desse movimento está Gerson Tenório de Araújo, ator, diretor, dramaturgo e filho da terra, que fez da própria história um palco de transformação.

     Natural de Quebrangulo, Gerson encontrou sua vocação ainda menino, entre cantos de coral na igreja e peças encenadas com catequizandos. O que era liturgia virou linguagem cênica. O que era fé virou arte real. E em 2015, após levar para o palco a peça “O Nascimento de Jesus”, nasceu também o grupo que mudaria os rumos da cultura local: o Shalom e Vida Cia de Teatro.

     Desde então, o grupo já montou 15 peças, entre clássicos da dramaturgia, como O Santo e a Porca, O Pequeno Príncipe e Meu Pé de Laranja Lima, entre espetáculos autorais, todos apresentados no Teatro Municipal de Quebrangulo e em cidades da região. Em 2017, com a peça de Ariano Suassuna, conquistaram o prêmio de Melhor Espetáculo Adulto no FETA, Festival Estudantil de Teatro de Alagoas. Repetiram a ousadia nos anos seguintes, firmando-se como referência de expressão cênica no Agreste alagoano.

     Após a pausa forçada pela pandemia, o grupo renasceu com ainda mais potência. Entre 2022 e 2025, foram apresentados os espetáculos Memórias de Fuga, Querido Eu, Quando as Máscaras e o mais recente, Conceição, todos de autoria do próprio Gerson.

“Conceição”: onde a dor vira arte

     Montar uma peça como Conceição foi, nas palavras de Gerson, “desafiador, intenso e ousado”. A obra nasce do íntimo, das memórias caladas, das dores que ficaram represadas por anos e que agora encontram respiro no palco. “A maioria das histórias contadas foram vividas em silêncio e muitas vezes oprimidas”, revela. Mas no teatro, essas dores se transfiguram em linguagem universal, despertando identificação, empatia e catarse.

     A peça não é só encenação: é confissão, libertação e reconstrução. Um espelho oferecido à plateia, em que cada pessoa, homem e mulher, pode se reconhecer e se emocionar. O público não apenas assiste: participa, sente e se conecta.

     Adriana Omena foi a atriz convidada para interpretar a mulher atemporal, uma personagem que de tudo sofreu, mas o inesperado surpreende.

Cultura com apoio público e coração coletivo

     O grupo conta com apoio fundamental da Prefeitura de Quebrangulo, que tem sido parceira na realização e financiamento dos espetáculos. Esse incentivo é mais que investimento: é um pacto com a cultura, com a juventude e com a memória do município.

Uma chama que segue acesa

     Gerson Tenório, filho de Mônica Domingos de Araújo e Júlio César Gomes Tenório, já não é apenas um artista: é símbolo de resistência e semeadura. Sua trajetória comprova que, com coragem e sensibilidade, é possível transformar silêncio em cena, dor em beleza, memória em futuro.

   Por fim, só nos resta exaltar a dedicação, o compromisso com a arte e com a nossa própria história, desse grupo de atores e atrizes, que sob a direção de Gerson Tenório, permiti-nos acreditar mais, que nossas dores e as alegrias serão contadas, servindo como um farol iluminado pela nossa cultura e a nossa arte, clarificando os futuros de cada um de nós em Alagoas, no Nordeste, no Brasil, sobretudo, neste planeta coberto por água, chamado de Terra.

Shalom e Vida: é uma chama viva, em Alagoas, da arte de contar históricas estórias, !

     A Shalom e Vida Cia de Teatro não apenas faz teatro, faz história. E leva no corpo, na alma e na voz, o poder ancestral da arte como bálsamo que desdem a dor e reflete o que nem vemos de nós mesmos.

A seguir, um pouco mais de Gerson Tenório de Araújo:

CB – Quantas peças você já montou e dirigiu?

GT– 15 PEÇAS

CB – Aonde foram apresentadas? 

GT – Teatro Municipal de Quebrangulo, e algumas cidades da região

CB – Como foi transformar a própria história em estória contada no teatro? (resumido)

GT – Foi muito desfiador, intenso e ousado. Principalmente em saber que a maioria das histórias contadas foram vivenciadas em silêncio e muitas vezes oprimida! Mas ao transformar em espetáculo de teatro, nos mostra o poder que a arte tem de transformar dor em arte e compartilhar com mais pessoas e gerar uma identificação e conexão com o público que consome o espetáculo.

CB – Como conseguiu financiamento para a montagem da peça?

GT – Todos os nossos espetáculos são financiados pela prefeitura municipal. Buscamos o apoio da gestão municipal, pois ainda sentimos dificuldade de conseguir o apoio através do comércio local. Apesar de estar dez anos atuando na cidade através do Shalom e vida, ainda sentimos resistência em relação à cultura.

CB – Foi difícil conseguir patrocínio, e quais as dificuldades?

GT – Não houve dificuldade, pois no município de Quebrangulo existe uma lei que patrocina eventos culturais e diversos. Existe uma burocracia como todo processo precisa, mas nada que seja com uma certa dificuldade

CB – Quais os próximos passos?

GT – Pretendemos levar nosso espetáculo Conceição para outras cidades para que outras pessoas consigam conhecer nosso trabalho, e na comemoração dos dez anos do shalom e vida, ainda este ano, pretendemos fazer uma amostra de teatro ou um festival de teatro para celebrar a nossa existência!

     – Por fim, só nos resta exaltar a dedicação, o compromisso com a arte e com a nossa própria história, desse grupo de atores e atrizes que, sob a direção de Gerson Tenório, permitiu-nos acreditar mais, que nossas dores e as alegrias serão contadas, servindo como um farol iluminado pela nossa cultura e nossa arte, clarificando os futuros de cada um de nós em Alagoas, no Nordeste, no Brasil, sobretudo, neste planeta coberto por água, chamado de Terra. 

     Shalom e Vida: a chama viva da arte de contar históricas histórias!

A seguir:

Ficha Técnica da peça Conceição

TEXTO E DIREÇÃO: GERSON TENÓRIO
ASS. DE DIREÇÃO: BRUNA OLIVEIRA

ELENCO:
ÉRIKA CALHEIROS como CONCEIÇÃO
BRUNA OLIVEIRA como CONCEIÇÃO
VITÓRIA NASCIMENTO como CONCEIÇÃO
EDJAMERSON ARAÚJO como CÉSAR, ANTÔNIO e CARLOS
WELLINGTON VIEIRA como ÓRTEGA
MARILLYA RIBEIRO como BENEDITA
RARIEL DE ARAÚJO como KAUÃ
ÂNGELA LIMA como MARIANA
LEONILSON TAVARES como ESPIRITUALIDADE

ATRIZ CONVIDADA:
ADRIANA OMENA como MULHER ATEMPORAL

ILUMINAÇÃO: ALAN GOMES
SONOPLASTIA: ALLAN JACKIELSON

PRODUÇÃO:
CAUÃ ROCHA
ANDRESSA LIMA

CENOGRAFIA: CRIAÇÃO COLETIVA – SHALOM E VIDA
FIGURINO: ATELIÊ M.M VILELA
ADEREÇOS E ESTÉTICA: GERSON TENÓRIO
FOTOGRAFIA: LAURA FOTOGRAFIAS