Com Assessoria

O novo livro do jornalista Elias Barboza, com lançamento para o dia 3 de novembro
de 2025 na BIENAL, revive um caso emblemático de preconceito e
injustiça ocorrido em Coqueiro Seco em 1993 – um vereador foi cassado
por assumir sua homossexualidade.
Em 1993, no pequeno município de Coqueiro Seco, em Alagoas, um
episódio marcaria para sempre a história política e social do estado. Um
vereador recém-eleito, Renildo José dos Santos, ousou quebrar o silêncio
de uma época marcada por preconceitos e tabus. Assumiu publicamente sua
homossexualidade — um gesto simples, mas revolucionário — e pagou um
preço alto demais por isso: o afastamento, a cassação e, mais tarde, a morte
cruel.
Três décadas depois, essa história ainda ecoa nas memórias de quem
testemunhou a intolerância institucionalizada e a omissão das autoridades
diante de uma violência que ultrapassou os limites da política e da moral. O
jornalista e escritor Elias Barboza, conhecido por sua escrita corajosa e
investigativa, lança agora seu sexto livro, que resgata essa trajetória dolorosa
e necessária. Uma obra que não apenas denuncia, mas também homenageia
a resistência de um homem que desejou apenas o direito de amar diferente.
Renildo chegou à Câmara Municipal de Coqueiro Seco cheio de esperanças.
Jovem, determinado e com um discurso voltado para os direitos sociais e a
igualdade.
Após assumir publicamente sua homossexualidade, um grupo de vereadores
protocolou um pedido de afastamento por 30 dias, alegando “quebra de
decoro parlamentar”. O gesto, além de injusto, refletia o preconceito
entranhado nas estruturas políticas e religiosas da época. Pouco tempo
depois, o afastamento se transformou em cassação, aprovada pela maioria da
Câmara — um ato que simbolizou o quanto a intolerância era capaz de
silenciar vozes dissidentes. Renildo não cometeu crime algum, sua “falha”
foi ter coragem de ser quem era.
Uma história que o tempo não apaga
O caso ganhou repercussão, dividiu opiniões e revelou as feridas de uma
sociedade que ainda não estava preparada para lidar com a diversidade.
Enquanto parte da população via em Renildo um exemplo de autenticidade,
outra parcela o condenava, alimentando discursos de ódio e exclusão. A obra
reconstrói os fatos com rigor jornalístico, mas sem perder o olhar humano
sobre o personagem central — um homem que amava, sonhava e acreditava
na política como instrumento de transformação.
Mais do que resgatar um episódio, o livro provoca reflexão. O que mudou
desde então? Ainda hoje, em pleno século XXI, pessoas continuam sendo
perseguidas, humilhadas e assassinadas por serem quem são. A história de
Renildo, portanto, não é apenas passado. É espelho do presente e alerta para
o futuro. Nessa narrativa jornalística através da escrita, o autor devolve voz
e dignidade a um homem que tentaram apagar da memória coletiva.
“Renildo – político e homossexual, torturado até a morte” é uma obra
que desafia o leitor a encarar a verdade que muitos tentaram esconder. Um
relato doloroso, mas necessário, que mostra que o amor, mesmo em meio à
violência e à intolerância. Ao reconstituir essa história, Elias Barboza não
apenas presta homenagem a Renildo, mas também denuncia o mecanismo
perverso que tenta silenciar os diferentes. Seu livro se insere na tradição do
jornalismo investigativo com compromisso ético e social, que busca não
apenas narrar, mas transformar. Cada linha do livro é um convite à empatia,
uma ponte entre o passado e o presente, entre a dor e a esperança.
O lançamento deste sexto livro de Elias Barboza promete emocionar e
provocar. Em tempos de retrocessos e discursos de ódio, obras como esta
reafirmam o papel fundamental da literatura e do jornalismo: dar voz a quem
foi silenciado. No final, o leitor é levado a uma reflexão inevitável: quantos
“Renildos” ainda sofrem em silêncio, privados do direito de existir
plenamente?

*Elias da Silva Barboza – graduado pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL em música –
canto e Comunicação Social Jornalismo. Professor de canto, instrumentista, cantor, poeta,
escritor, jornalista e subtenente da reserva da Polícia Militar de Alagoas. Natural da cidade de
Maceió, mas abraçou Arapiraca como segunda casa. Hoje, mora em TaquaranaAL.





