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A Capital do Agreste em Duas Linhas de Acontecimentos

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Imagem da capa

Por Carlo Bandeira

Cento e dois anos não são apenas um acúmulo de meses nos calendários na parede. Para Arapiraca, cada ano é um palmo de chão conquistado sob sol forte, uma folha de fumo que secou no galpão da memória para dar lugar ao futuro plantado na terra não só de Manoel André, mas na terra onde a esperança brota do trabalho e acolhimento de suas gentes. Sim, são gentes de todas as partes que plantaram aqui os seus sonhos. Olhar para esta senhora centenária é enxergar uma terra que aprendeu a andar com passos firmes, desenhados por mãos que souberam conjugar o verbo cuidar e o verbo construir.

Na estampa dessa história recente, duas assinaturas se destacam pela sensibilidade e pelo prumo. Houve o tempo em que a cidade precisou de colo, de um olhar que enxergasse o invisível e acolhesse a saúde e a dignidade das famílias. Foi ali, sob a sensibilidade materna e firme de Célia Rocha, que Arapiraca humanizou suas esquinas, plantando postos de atendimento onde antes só havia esquecimento, organizou a produção e o comércio, mostrando que o maior patrimônio de um município é a sua gente.

Mas o futuro é um horizonte que exige estrutura, e a cidade, que já sabia sentir e realizar sonhos, precisou aprender a projetar o agora para o amanhã. Veio então o traço visionário de Luciano Barbosa, transformando poeira em asfalto, transformando o sonho da educação em escolas de tempo integral que hoje servem de farol para todo o país. Com escolas que parecem palácios de saber e praças que devolvem a cidade ao cidadão, sua administração deu à Capital do Agreste a moldura de metrópole que ela sempre mereceu ter.

Entre o abraço que acolhe e a viga que sustenta, Arapiraca comemora seu centenário e mais dois passos em direção ao amanhã. Uma cidade que orgulha Alagoas porque soube somar o carinho de Célia à solidez de Luciano, provando que a política, quando feita com alma e competência, é a arte de transformar a terra do fumo na eterna terra do futuro.