Quem caminha por Arapiraca e repara no desenho de suas ruas e praças, no movimento de seus postos de saúde, ecolas e na força de sua gente, inevitavelmente esbarra nas marcas de um tempo (1997/2000) em que o poder público ganhou contornos de acolhimento. Falar sobre as gestões de Célia Rocha na Prefeitura de Arapiraca não é apenas listar dados estatísticos ou inaugurar placas de bronze; é contar a história de como uma médica pediatra traduziu o verbo “cuidar” em extensas linhas de asfalto, salas de aula e redes de proteção social.
Célia governou a capital do Agreste por três mandatos: de 1997 a 2000// 2001 a 2004 e, mais tarde, de 2013 a 2016. Na Bagagem, trazia os primeiros passos dados na Secretaria Municipal de Saúde, ainda nos anos 1980, onde promoveu o nascimento do Sistema Único de Saúde – SUS, o primeiro município, em Alagoas, a implantar o novo sistema nacional da saúde, e que se tornou uma grande referência para o resto do país. Talvez venha dali, do estetoscópio e do olhar atento à infância, a sensibilidade que moldou sua trajetória política.
Nas suas primeiras duas gestões – 1997/2000 – 2001/2004, Arapiraca vivia a transição para um novo milênio. A cidade do fumo precisava se redescobrir, expandir e abraçar o futuro. Célia aceitou o desafio de frente. Sob o seu comando, o município passou por uma verdadeira metamorfose estrutural. Escolas foram erguidas, postos de saúde multiplicaram-se, e os bairros periféricos e da zona rural começaram a ganhar a dignidade da água tratada chegando nas casas, do seneamento e da pavimentação. Ela entendeu, antes de muitos, que governar para as mães e para as crianças era garantir que a cidade crescesse de forma justa.
Quando retornou em 2013, o cenário era outro, mas a essência permaneceu intocada. Aqueles quatro anos derradeiros consolidaram Arapiraca como uma no fortalecimento da rede de assistência social. CRAS, CREAS e tantos outros programas ganharam fôlego. Célia Rocha não via a vulnerabilidade social como um problema abstrato; via famílias reais que precisavam de um teto protetor, de uma oportunidade, de um colo institucional.
Há uma doçura firme no seu jeito de fazer política, uma capacidade de articulação que costura alianças em Maceió e Brasília para garantir que os recursos chegassem à ponta, de modo a transformar a vida de seus conterrâneos e conterrâneas. Cada obra entregue carregava esse selo: o da obstinação feminina que abriu caminhos num universo predominantemente masculino, tornando-se a primeira mulher a comandar o destino dos arapiraquenses.
Hoje, anos após o encerramento de seu último ciclo na prefeitura, o legado de Célia Rocha continua vivo, vibrando diariamente em todo o município. É uma herança moldada com o coração agrestino e a precisão médica de quem sempre soube que o melhor remédio para uma cidade é a
dedicação absoluta ao seu povo. Este legado está vivo mais do que nunca; e agora entra em cena como vice-governadora de Alagoas. A Saúde é ainda, segundo Célia, a maior ferida do estado. Mas ela está aqui, de volta, firme como o antídoto
que produz assistência pública para toda a sociedade e, muito principalmente,
para quem vive o desconforto dos menos protegidos pelo poder público.
Por fim, nesta campanha passada, em frente à Casa da Cultura, ouvi uma explicação dada por um senhor a um jovem que parecia ser seu filho: “Célia Rocha é filha desta terra, irmã da solidariedade e matriarca da Arapiraca que a gente vive hoje.”
Parabéns, não só pelo dia 29 de outubro, quando comemoramos o seu aniversário, mas também, por todos os dias que você vive este seu canto, seu berço, sua origem.
Fotos de arquivo e internet
Por Carlo Bandeira



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